Município concentra quase 60% das exportações baianas potencialmente afetadas pelas novas tarifas norte-americanas
O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros mais uma vez afeta a economia de Camaçari. Sede do maior complexo industrial da Bahia, o município lidera a lista das cidades baianas mais expostas às novas barreiras comerciais, principalmente por causa das exportações de produtos químicos e petroquímicos.
Levantamento elaborado com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) indica que Camaçari possui aproximadamente US$ 103,26 milhões em exportações potencialmente atingidas. O montante representa 59,4% dos US$ 173,89 milhões estimados para toda a Bahia.
A tarifa adicional aumenta o preço dos produtos de Camaçari no mercado norte-americano, reduzindo sua competitividade diante de fornecedores locais e de outros países. Com isso, empresas instaladas no Polo Industrial deverão enfrentar queda nas encomendas, diminuição das exportações e pressão sobre suas margens de lucro.
O setor químico brasileiro já enfrenta dificuldades relacionadas ao elevado custo da energia e das matérias-primas. As empresas norte-americanas, por sua vez, contam com acesso mais barato ao gás natural e ao etano, elementos importantes para a indústria petroquímica. A nova tarifa amplia essa diferença competitiva.
Dados divulgados por entidades do setor mostram que, em 2025, os Estados Unidos venderam aproximadamente US$ 11,5 bilhões em produtos químicos ao Brasil e compraram cerca de US$ 2,1 bilhões, mantendo superávit superior a US$ 9 bilhões nesse segmento.
Busca por novos mercados
Para reduzir a dependência do mercado norte-americano, as indústrias de Camaçari deverão acelerar a busca por compradores na América Latina, Europa e Ásia. Essa diversificação, entretanto, exige tempo, novos contratos, certificações, adequações técnicas e mudanças na logística de distribuição.
Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, a saída mais eficiente passa pelo diálogo entre os dois países.
“A reversão desse cenário passa pela retomada das negociações entre os dois governos. O entendimento bilateral é o caminho mais eficaz para atender aos interesses de ambos os lados”, afirmou.
Embora parte expressiva das exportações brasileiras permaneça fora das novas sobretaxas, os efeitos são mais concentrados em municípios industriais. Camaçari, não escapa da onda das tarifas, o Polo Industrial possui grande peso na geração de empregos e na arrecadação, qualquer retração das exportações deve provocar consequências em toda a economia local.
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