Início das operações da BYD marca novo capítulo industrial em Camaçari
No próximo dia 26 de junho, às 9h da manhã, Camaçari viverá um momento histórico: a BYD dará a largada oficial na produção de seus veículos no que já está sendo chamado de “o maior complexo industrial automotivo da América Latina voltado a carros elétricos”. A cerimônia de início das atividades será marcada por presença de autoridades, investidores e imprensa nacional. Mas apesar do tom festivo, a chegada da montadora chinesa à Bahia vem cercada de grandes promessas e grandes controvérsias.
Com o novo polo, a BYD pretende acelerar a eletrificação do mercado brasileiro. O primeiro carro a sair da linha de montagem será o Dolphin Mini, que também será o primeiro veículo 100% elétrico fabricado em solo brasileiro. Ao lado dele, o SUV compacto Song Pro completa a linha de entrada da montadora para o público nacional.
Mas calma: neste primeiro momento, os veículos não serão fabricados do zero aqui. A produção funcionará em regime CKD (Completely Knocked Down) ou seja, as peças vêm todas prontas da China, e aqui será feita apenas a montagem. A meta ambiciosa é atingir 80% de nacionalização nos próximos anos, como afirmou o governador Jerônimo Rodrigues, após visita a fornecedores e parceiros na China.
Carros ainda têm preços altos
O consumidor já está de olho em uma possível redução de preços, com a chegada da produção ao Brasil. Mas, por enquanto, não há garantia disso. O Dolphin Mini, que é o carro mais acessível da marca, parte de R$ 122.800. Já o Song Pro tem preço inicial de R$ 194.800, o que o coloca em disputa direta com modelos híbridos e a combustão de outras marcas consolidadas.
No entanto, nem tudo são flores para a BYD. A empresa está envolvida em uma disputa judicial com a BMW, que tramita na 5ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro. A montadora alemã acusa a chinesa de se aproveitar da sua imagem e prestígio internacional para avançar no mercado nacional de forma indevida.
O golpe mais duro, porém, veio na última semana. O Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) ingressou com ação civil pública contra a BYD e duas empreiteiras responsáveis pela construção do complexo em Camaçari. A acusação é gravíssima: trabalho escravo e tráfico de pessoas.
Segundo o MPT, trabalhadores foram aliciados em outros estados ou paises com promessas falsas e, ao chegarem à Bahia, foram submetidos a condições degradantes, sem alimentação adequada, alojamento digno ou liberdade de deixar o local. O órgão pede uma indenização de R$ 257 milhões por danos morais coletivos.
A denúncia abalou profundamente a imagem da empresa, que tenta se posicionar como referência em sustentabilidade e tecnologia limpa. Até o momento, a BYD não apresentou uma resposta detalhada, limitando-se a dizer que está colaborando com as investigações e que repudia qualquer prática ilegal.























