Por A. Almeida
A chegada triunfal da BYD em Camaçari transforma o cenário industrial da Bahia

Na manhã desta terça-feira (1º), um novo capítulo começou a ser escrito na história industrial de Camaçari. A cidade renasce com a instalação oficial da fábrica da montadora chinesa BYD — um verdadeiro marco para a indústria automobilística brasileira. O evento representou um salto ousado rumo a um futuro mais sustentável e tecnologicamente avançado. A presença de autoridades, imprensa, engenheiros e parceiros industriais como a Continental Pneus deu o tom de grandeza da ocasião.

A BYD já chegou fazendo conexões estratégicas: a primeira empresa homologada para fornecer peças será a Continental, também instalada em Camaçari. Essa parceria entre gigantes acende o sinal verde para uma verdadeira revolução no parque industrial baiano. Trata-se de sinergia, de geração de oportunidades, de fortalecer cadeias produtivas locais. A homologação da Continental mostra que o investimento chinês veio para incluir, somar e desenvolver com quem já está por aqui.

106 empresas brasileiras qualificadas para fornecer à fábrica da BYD na Bahia
Durante o evento, outro anúncio animou o setor produtivo: 106 empresas brasileiras já estão sendo qualificadas para fornecer peças à montadora. Um número expressivo que reforça o comprometimento da BYD com o desenvolvimento econômico nacional e, especialmente, com a Bahia. Isso significa geração de empregos, circulação de renda e um novo fôlego para pequenos e médios empreendimentos que, até então, estavam à margem da cadeia automotiva de veículos limpos. É um modelo de negócios com DNA colaborativo.

Entre as atrações apresentadas ao público, o compacto BYD Dolphin Mini brilhou como uma verdadeira joia elétrica. Produzido em escala global, o modelo já ultrapassou a marca de 1 milhão de unidades fabricadas — um feito impressionante que ganhou coroação com o título de Carro Urbano do Ano de 2025 pelo World Car Awards. O Dolphin Mini traduz, em quatro rodas, o espírito do tempo: agilidade, sustentabilidade e conectividade. Saber que ele será fabricado na Bahia emociona.

E não foi só o Dolphin que conquistou os olhares do público. O BYD Song Pro. o primeiro super híbrido da marca produzido no Brasil, também foi apresentado com destaque. Com linhas modernas, desempenho eficiente e tecnologia de ponta, o modelo chega com a missão de mostrar que o carro do futuro pode — e deve — ser feito aqui. É um produto que carrega em sua estrutura o orgulho de uma Bahia que não quer mais ser apenas espectadora, mas protagonista da nova mobilidade global.

A produção dos modelos BYD Dolphin Mini, Song Pro (GL/GS) e King (GL/GS) está prestes a começar. Todos serão produzidos em Camaçari nos próximos anos, em uma estrutura preparada para atender as exigências do consumidor brasileiro. Inicialmente, os veículos virão quase prontos da China, no regime SKD (semi-knocked down), mas a ideia é nacionalizar a cadeia de produção gradativamente. As carrocerias chegam pintadas e parcialmente montadas, mas com tempo, a montagem será cada vez mais completa aqui — e isso significa mais empregos e mais tecnologia circulando pela cidade.

Rute Carvalhal aposta na economia 6.0 com protagonismo baiano
A engenheira baiana Rute Carvalhal, referência em inovação industrial e sustentabilidade, vê na chegada da BYD um marco que vai além da economia tradicional. Para ela, a Bahia está diante de uma janela histórica que deve impulsionar a chamada “economia 6.0”, com foco em inteligência artificial, automação, conectividade e responsabilidade ambiental. Rute enxerga, a chance de Camaçari abandonar os impactos da desindustrialização e se reinventar com base em conhecimento e inovação.

A vice-presidente global da BYD, Stella Li, foi enfática e inspiradora em seu discurso: “Mais do que uma empresa de carros, somos um complexo de tecnologia e uma força global. Nossa missão é tornar a mobilidade elétrica acessível para o maior número de pessoas, e reduzir em 50% a intensidade de carbono até 2030.” Sua fala foi recebida com entusiasmo por quem esteve presente — havia ali um misto de orgulho e esperança no ar. Não se tratava só de negócios, mas de propósito.

A expectativa é que, até o final do ano, a fábrica já conte com cerca de 3.000 trabalhadores, sendo um grande percentual de profissionais baianos. A prioridade pela mão de obra local — é estratégica e socialmente justa. A cidade, que sofreu com o encerramento da Ford, agora pode respirar novos ares, com vagas que vão desde funções operacionais até cargos técnicos e de engenharia. Cada posto de trabalho é uma nova história sendo reescrita.

A planta industrial da BYD em Camaçari começa com uma capacidade de 150 mil veículos por ano, número que já impressiona. Mas o plano da empresa é ousado: na segunda fase, a produção deve alcançar 300 mil unidades por ano. Isso transforma a fábrica na maior da América Latina no segmento de mobilidade elétrica, consolidando a Bahia como um dos polos mais promissores desse setor no hemisfério sul.
























