Estudo revela que setores como máquinas agrícolas, aeronaves, cereais e frutas seriam os mais prejudicados com a retaliação comercial anunciada por Donald Trump
Por Redação | 11 de Julho de 2025
A possível aplicação de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump e prevista para entrar em vigor em 1º de agosto de 2025, pode representar um dos maiores choques comerciais enfrentados pelo Brasil nas últimas décadas. Estudo técnico aponta que a medida colocaria em risco cerca de 110 mil postos de trabalho e causaria um prejuízo de aproximadamente R$ 19,2 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a 0,16% da economia nacional.
Além do impacto macroeconômico, a tarifação compromete o desempenho de setores estratégicos da economia brasileira, com quedas expressivas nas exportações previstas já nos primeiros doze meses de aplicação.
As máquinas agrícolas, exportadas principalmente para os EUA a partir de estados como Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Bahia, lideram as perdas. Estima-se uma retração de quase um quarto das exportações no segmento, o que pode comprometer linhas de produção, provocar demissões em massa e afetar o mercado interno de insumos e peças.
O setor aeroespacial, com destaque para a Embraer, também figura entre os mais prejudicados. Com mais de 60% de sua produção voltada para o mercado norte-americano, a fabricante de aeronaves pode sofrer forte redução no faturamento, além de riscos à inovação e à manutenção de contratos internacionais.
Entre os produtos agrícolas, o suco de laranja é especialmente sensível. O Brasil é responsável por quase metade das importações americanas do produto, e a aplicação de tarifas tornaria a bebida brasileira inviável economicamente frente a concorrentes como México e África do Sul.
Consequências econômicas e sociais
Além da estimativa de R$ 19,2 bilhões de impacto negativo no PIB, o estudo alerta para efeitos colaterais relevantes:
- Perda de empregos em toda a cadeia de valor — indústria, agro, transporte e serviços.
- Encarecimento de produtos no mercado interno caso o excedente exportador pressione os preços internos para baixo e afete a renda de pequenos produtores.
- Riscos inflacionários nos EUA, com alta nos preços de carne, café, laranja e itens industrializados.
Diante da ameaça, o Ministério das Relações Exteriores já anunciou a intenção de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e aplicar tarifas retaliatórias a produtos norte-americanos. A resposta segue a lógica da reciprocidade comercial, prevista nos acordos multilaterais.
“Não aceitaremos retaliações políticas disfarçadas de medidas comerciais. O Brasil se reserva ao direito de responder com firmeza e proporcionalidade”, afirmou nota do Itamaraty.























