Por Rute Carvalhal, engenheira civil e segurança do trabalho
Alta dos insumos já pesa no bolso e trava decisões no setor
A verdade é que ninguém esperava um impacto tão rápido. Em poucos meses, materiais básicos dispararam: PVC subiu mais de 35% e o concreto já chega com reajustes de até 16%, pressionando contratos antigos e deixando construtores inseguros.
Parece distante, mas não é. O conflito elevou o preço do petróleo, encareceu energia, frete e produção industrial. Quando o material chega aqui, já vem com outro preço e isso muda tudo, do orçamento ao prazo das obras.
Camaçari tem ligação direta com derivados do petróleo, então qualquer aumento lá fora chega pesado. Obras industriais, logísticas e até residenciais já estão sendo revistas ou adiadas.
Quem está tentando comprar, construir ou reformar imóveis sente o impacto nos novos preços . O metro quadrado sobe, parcelas aumentam e o financiamento fica mais difícil. Como se o sonho estivesse ficando cada vez mais longe.
Não é só obra grande. Reformar casa, construir um muro ou ampliar um cômodo já custa mais. Prestadores estão repassando os aumentos e ninguém consegue segurar por muito tempo.
Resumindo a situação: sem previsibilidade, novos projetos travam, obras atrasam e o custo final inevitavelmente cai no colo do consumidor. E, sinceramente, isso já está acontecendo.
Na RMS, o clima é de cautela. Investidores pensam duas vezes, programas habitacionais podem frear e obras públicas correm risco de atraso, afetando emprego e renda em cadeia.
A crise começou lá nos países árabes, chegou aqui muito rápido. Insumos caros, crédito apertado e obras mais difíceis de tirar do projeto. E a conta sempre chega para quem menos pode pagar.






















