Escalada militar eleva risco no mercado internacional, pressiona inflação e debate sobre gasolina, diesel e impacto na economia brasileira
A nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a abalar o mercado internacional de energia e pode produzir reflexos diretos na economia brasileira. O anúncio do presidente norte-americano Donald Trump sobre o fim do cessar-fogo entre os dois países provocou uma forte reação nas bolsas de commodities, levando o petróleo ao maior patamar das últimas três semanas.
O barril do Brent, referência para o mercado internacional, fechou em US$ 78,02, com alta de 5,2%, enquanto o WTI, utilizado como referência nos Estados Unidos, avançou 4,37%, encerrando o dia em US$ 73,52. Durante o pregão, o Brent chegou a superar a marca dos US$ 80, refletindo o aumento da percepção de risco dos investidores.
O mercado reagiu principalmente às ameaças de uma intensificação do conflito e à possibilidade de novos ataques na região do Golfo Pérsico. O maior temor é que o Irã venha a restringir a navegação no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no planeta. Uma interrupção, ainda que parcial, pode comprometer a oferta mundial e elevar significativamente os preços internacionais da energia.
Brasil deve rever cronograma para retirada de subsídios
Embora o Brasil seja hoje um dos maiores produtores de petróleo do mundo graças à exploração do pré-sal, os preços dos combustíveis continuam sendo influenciados pelas cotações internacionais.
Nesse contexto, o governo federal deverá agir com cautela antes de promover alterações na política de preços ou retirar mecanismos de amortecimento utilizados para reduzir os impactos das oscilações externas sobre gasolina e diesel.
Se o aumento do petróleo for apenas uma reação momentânea do mercado, mudanças poderão ser mantidas conforme o planejamento. Entretanto, caso o conflito se prolongue e mantenha o barril acima da faixa de US$ 75 a US$ 80, a tendência é que o governo reavalie o cenário para evitar uma pressão ainda maior sobre a inflação e sobre o custo de vida da população.























