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Guerra no Irã pressiona combustíveis, alimentos e serviços em Camaçari

Por A. Almeida- Jornalista, Economista e Servidor Público

O agravamento do conflito no Irã voltou a alertar o mercado internacional e já provoca preocupação entre consumidores de Camaçari, a pressão sobre os combustíveis acaba se somando ao aumento dos preços dos alimentos, das feiras livres, dos supermercados e dos serviços, tornando ainda mais difícil a vida de quem já vive apertado.

E como a população de Camaçari absorve isso? Na prática, absorve cortando consumo. O município tem população estimada em 321.636 pessoas e, embora tenha PIB per capita de R$ 91.283,07, isso não significa renda bem distribuída. A própria prefeitura tem aberto programas e editais voltados a famílias com renda bruta mensal de até R$ 2.850 e inscrição no CadÚnico, o que mostra a presença forte de famílias em situação de aperto. Além disso, o governo federal informou que a Bahia tinha 2,33 milhões de famílias no Bolsa Família em fevereiro, com benefício médio de R$ 677,16, sinal de grande dependência de transferência de renda no estado.

O impacto chega ao endividamento das famílias

Quando o preço do combustível sobe, o problema não fica restrito ao abastecimento dos veículos. O aumento se espalha por toda a cadeia de consumo e acaba atingindo setores básicos da vida da população. É o caminhão que transporta os alimentos, é o comerciante que paga mais caro para receber mercadorias, é o feirante que precisa reajustar os preços para manter a atividade.

No dia a dia de Camaçari, isso costuma aparecer de cinco formas. A primeira é a troca de produtos: sai a carne de primeira, entra ovo, frango ou mistura menor. A segunda é a redução da quantidade comprada por semana, sobretudo na feira. A terceira é a queda do consumo de serviços, como almoço fora, lanches e pequenos gastos cotidianos. A quarta é o aumento do uso do crédito informal ou do fiado. E a quinta é a maior dependência de programas sociais e de redes familiares de apoio. Isso é uma inferência econômica a partir dos dados de inflação, cesta básica e vulnerabilidade social já citados

Mais do que números ou oscilações do mercado, essa é uma realidade que chega à mesa do trabalhador, ao carrinho de compras e ao orçamento doméstico já estourado. E é justamente aí que a crise mostra sua face mais dura.

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