Por Maurício Ferreira -Sommelier
O prazer de degustar um vinho tão icônico como o Yacochuya da vinícola São Pedro de Yacochuya, uma das precursoras da região de Cafayate merece uma atenção especial por parte desse tão modesto aprendiz.
Com quase treze anos de guarda em uma das minhas tão confusas adegas, chegou trazendo não apenas a esperada força do Malbec aperfeiçoado pelos 18 meses de barril de Carvalho, mas a sabedoria e a elegância de um vinho aprimorado ao seu ápice pelo tempo e pela guarda responsável.
Dizem que um vinho traz assinaturas e com esse não podia ser diferente, mas para quem esperava o corpanzil dos argentinos da década de 2000 e 2010, saiba que esse rótulo expressa a lavra de um Michel Rolland que se notabilizou por assinar o Pontet-Canet de 2009. Intenso, seco e perfumado, com notas austeras de ameixas maduras, frutas secas, toques de couro, frutas negras e especiarias.
Como consegui esperar tanto? O encontro inesquecível com um Yacochuya amadurecido
As inusitadas notas de doce de leite que sempre marcaram o Yacochuya e o seu “primo” São Pedro de Yacochuya, que me encantavam e democratizavam as provas junto a “galerinha”, foram substituídas por toques secos, austeros e mineralizados, enfim, a finesse de Cahor brotou através de um DNA ainda latente, mesmo que oprimido por um terroir tão diferente o quanto distante.
As vezes me pergunto, como consegui esperar tanto tempo?























