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Léa Ester e o Resgate da Culinária Judaica com seu Autêntico Gefilte Fish

Uma celebração judaica marcada pela tradição e pela lua cheia

Nesse domingo, em clima de fraternidade e reverência, fomos surpreendidos com uma receita especial para celebrar a Páscoa Judaica, ou Pessach, à mesa. A ocasião é ainda mais simbólica porque, como manda a tradição, a festividade sempre acontece durante a lua cheia — lembrando de renovação, libertação e ancestralidade.

Quem comanda o banquete é Léa Ester, esposa e companheira de vida de Luiz Roberto Sobral, nosso amigo Sibié. Léa trouxe à mesa sabores e história viva, transmitida com carinho, afeto e memória afetiva.

Gefilte Fish: um elo com os antepassados

Entre taças de Cabernet Sauvignon Perez Cruz.  Léa apresenta a receita do prato principal da noite: o tradicional gefilte fish, ou “guefilt fish”, como carinhosamente chamou, com sotaque de quem carrega no coração as lembranças da Polônia ancestral.

Feitos à mão, os bolinhos de peixe exalavam amor. Cada mordida nos transportava a um tempo em que as avós preparavam essas iguarias para os jantares sagrados do Shabat, entre rezas, canções e histórias contadas à beira do fogão. É impossível provar e não sentir o peso da história.

A preparação exige dedicação, respeito e paciência. Lea usa uma mistura de peixes brancos — tilápia, pescada e carpa — finamente moídos, com cebolas picadas, cenouras raladas, ovos, farinha de pão ázimo e um toque de açúcar que equilibra perfeitamente o sal. Moldou bolinhos ovais com as mãos, com o cuidado de quem molda memórias. Cozinhou tudo em um caldo leve, deixando as almôndegas firmes e delicadamente perfumadas. Depois, é só resfriar e servir com ramos de salsa e rodelas de cenoura — simples, mas profundamente simbólico.

O que Léa faz é perpetuar um rito. Em tempos de pressa e superficialidade, sentar-se à mesa e ouvir histórias de antepassados, de festas em Varsóvia e de famílias que resistiram ao tempo, é uma experiência emocionante. O gefilte fish dela tem alma. É receita que atravessou oceanos, atravessou guerras, e continua sendo servida como ato de resistência e afeto.

A beleza do gefilte fish está também na sua versatilidade. Na Polônia, é mais adocicado; na Hungria, ganha notas de páprica e pimentão; na Lituânia, é mais leve, quase neutro; e nos Estados Unidos, os toques contemporâneos trazem desde salsa fresca a cebolinha. Em Israel, há até versões com peixe do Mediterrâneo. E hoje, há versões vegetarianas — com tofu, cogumelos e beterraba — que respeitam a tradição sem renunciar à inovação.

Pouca gente sabe, mas o gefilte fish é também uma escolha inteligente para quem se preocupa com a saúde. Rico em proteína, leve em calorias, e com boas doses de ômega-3, esse prato é um presente para o cérebro e para o coração. É alimento que nutre o corpo e a alma.

Ajuda na memória, no sistema imunológico, na saciedade e ainda fortalece ossos e músculos. E, convenhamos, é muito mais gostoso que qualquer suplemento de farmácia.

O gesto de Léa Ester, ao preparar o gefilte fish, não é pequeno. Num mundo cada vez mais padronizado, manter viva uma tradição culinária é também manter viva uma identidade. É uma forma de dizer “estamos aqui, não esquecemos quem somos”.

Cada detalhe — do modo como o peixe é moído à maneira como ela molda as bolinhas com as mãos — É carregado de memória. E é isso que diferencia um simples prato de uma verdadeira herança cultural.

Acompanhado de um vinho chileno encorpado, brindamos à vida, à amizade, e à coragem dos que vieram antes. Léa nos deu uma aula de história, sensibilidade e pertença.

Que venham mais celebrações como essa. Com a lua cheia, com comida que conta histórias e com pessoas que sabem que o sabor da vida está nas raízes.

Gefilte fish. É afeto, é resistência e, sobretudo, é amor temperado com memória.

Aqui vai a receita das últimas vezes que anotei. Pois tenho um histórico de todas com a ficha técnica e observações. O que deu certo ou não. Portanto fui aprimorando ao longo dos anos. Eu faço esse ritual duas vezes por ano. Lembro da minha avó materna chamada Helena, que veio da Polônia fugindo do holocausto. Depois minha mãe e tias que também faziam, lá no sul do Brasil. E aqui na Bahia reciclei com algumas pessoas da comunidade judaica da Bahia. Pois os peixes e ingredientes são as vezes diferentes e temos que adaptar.

Léa Ester Neuman Sandes-Sobral.

Memória Afetiva – sabores da tradição judaica

Guefilt fish – receita Polish – adocicada

40 bolinhos e 4 cabeças
4,30 peixe/ 2,700 filé

Massa para os bolinhos:
6 xic do peixe moído
4 cebolas grandes raladas ( metade frita e a outra metade crua)
6 ovos inteiros
1 xic açúcar
1 xic farinha Matzá
1/2 xic água
1/4 xic sal
Pimenta pó branca
Pimenta grão preta

Mistura tudo e faz bolinho, colocando cuidadosamente no caldo fervente.

Caldo:
Salga o espinhaço do peixe e forra o fundo da panela. Depois, enche a panela com água (de 4 a 5 L). Temperando o caldo (sopa de peixe que vai dar gosto aos bolinhos): acrescentar 10 colheres de sopa cheias de açúcar, 5 colheres pequenas de sal, 5 colheres rasas de pimenta em grão, 2 cenouras cortadas em rodelas finas.

Ferve o caldo e vai colocando os bolinhos delicadamente para cozinhar. Espera no mínimo 2 horas. Quando os bolinhos começam a boiar está pronto, deixa esfriar bem e retira cada um cuidadosamente, arrumá-los na travessa e enfeite com as rodelas de cenoura e cubra com o caldo coado .
Utilize pirex e cubra.
Pode congelar.
Resultarão cerca de 40 unidades

Deguste com prazer a nossa tradicional culinária judaica.
Iluminando assim a nossa tradição, que passa pelas mulheres das famílias dos imigrantes europeus – askenazim -, vindos para a América.

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