REDAÇÃO BAHIA FATOS NEWS- Camaçari, 13 de junho de 2025
Trocas frequentes no comando da PM de Camaçari afetam a continuidade das ações
Nos últimos dois anos, o 12º Batalhão da Polícia Militar de Camaçari tem vivido uma espécie de dança das cadeiras que preocupa moradores, comerciantes e até autoridades locais. Já foram mais de quatro comandantes diferentes, cada um com uma média de apenas seis meses à frente da tropa. Nesta quinta-feira (12), mais uma cerimônia de passagem de comando foi realizada, novamente deixando o sentimento de instabilidade pairando sobre a segurança pública da cidade.
O evento aconteceu no Colégio Estadual de Tempo Integral Gonçalo Muniz, na Gleba C, e reuniu o prefeito Luiz Caetano, representantes das forças de segurança, lideranças comunitárias e outros nomes da política local. A solenidade teve pompa e discursos, mas não conseguiu esconder o incômodo que cresce em quem vive o dia a dia da cidade: como garantir segurança com tanta troca de comando?
O agora ex-comandante do 12º BPM, tenente-coronel Ricardo Márcio Vieira Santana, ficou pouco tempo em Camaçari. Apenas seis meses. Tempo suficiente para iniciar estratégias de policiamento preventivo e ações integradas, mas não o bastante para consolidar resultados ou corrigir fragilidades estruturais da segurança local. Sua saída para assumir o Comando de Policiamento da Região Metropolitana, em Lauro de Freitas, parece repetir o ciclo de estagnação e recomeço que já virou rotina em Camaçari.
Quem é o tenente-coronel Roberto Pinto de Castro?
O novo comandante, tenente-coronel Roberto Pinto de Castro, assume a missão espinhosa de reduzir índices de violência e devolver à população a sensação de segurança. Ele carrega no currículo especializações em Segurança Pública, Gestão de Policiamento Turístico, Técnicas de Ações de Choque e outras formações operacionais. Mas a pergunta que não quer calar é: ele terá tempo suficiente para implementar algo duradouro ou será mais um nome a entrar e sair em seis meses?
Não se trata de uma mudança de chefe. Cada novo comando traz uma nova filosofia, novos planos e prioridades. E enquanto isso, comunidades inteiras, especialmente as mais vulneráveis, ficam à mercê de uma polícia que, apesar do esforço dos seus bravos agentes, não consegue manter um projeto de segurança consistente. A criminalidade não espera. O tráfico não tira férias. E Camaçari continua exposta.
Quando um comandante começa a conhecer o território, identificar os pontos críticos, se aproximar das lideranças comunitárias e pensar estratégias de médio prazo, ele já está sendo substituído. É como tentar apagar incêndios com baldes furados. A ausência de uma permanência mínima desestrutura o planejamento tático e desmotiva o próprio efetivo.
O prefeito Luiz Caetano participou da cerimônia e reforçou que a segurança é uma das prioridades do seu governo. Mas, até agora, a prometida Guarda Municipal, que poderia somar forças às polícias Militar e Civil, ainda não saiu do papel. Criar essa estrutura é urgente. Camaçari precisa de um corpo municipal treinado, presente e atuante em parceria com as demais instituições.
O combate ao crime exige presença contínua, liderança estável, inteligência e articulação entre os órgãos de segurança. Enquanto os comandos do 12º BPM continuarem sendo tratados como posições temporárias, a cidade continuará refém de uma lógica que beneficia apenas quem lucra com o caos.
Por A. Almeida-jornalista
Foto: Juliano Sarraf
























