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COP30: Uma Conferência Marcada por Falhas, Atrasos e uma Oportunidade Desperdiçada

Por A. Almeida

A tão aguardada COP30 em Belém, que deveria ser um marco histórico pela primeira edição plena da conferência no coração da Amazônia, acabou revelando um cenário de improviso, atrasos e falhas que ofuscaram o simbolismo do evento. O que era para ser a vitrine ambiental do Brasil se transformou em uma sequência de contratempos previsíveis.

Obras inacabadas, pavilhões com vazamentos, ar-condicionado falhando e trechos do Parque da Cidade ainda em finalização receberam delegações que esperavam estrutura de padrão internacional. Some-se a isso o transporte público saturado e serviços incapazes de atender ao fluxo extraordinário de visitantes. A carta enviada pela ONU, cobrando soluções emergenciais, foi o retrato mais claro do desgaste.

A hospedagem, por sua vez, virou um capítulo à parte. Hotéis cobrando preços abusivos e oferta insuficiente afastaram delegações menores, ONGs e representantes de comunidades, justamente quem mais deveria estar presente em um debate climático inclusivo. Resultado: participação limitada, pluralidade reduzida e sensação de elitização.

Nem a segurança passou ilesa. A invasão de áreas restritas por manifestantes expôs fraquezas operacionais e gerou constrangimento diplomático. Para um evento deste porte, falhas assim são inadmissíveis.

No campo político, a COP30 também ficou devendo. O grande trunfo que o governo brasileiro anunciava ” o fundo Tropical Forests Forever” empacou em impasses. O debate sobre combustíveis fósseis avançou pouco. E a ausência de muitos chefes de Estado esvaziou o peso global da conferência.

A COP30 poderia ter projetado o Brasil como protagonista climático. Preferiu entregar remendos. O simbolismo da Amazônia segue intacto, mas o evento mostrou que boa intenção não substitui planejamento. A oportunidade era enorme e ficará longe de ser plenamente aproveitada.

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