Salvador – Mais do que celebrar a Independência da Bahia, o tradicional desfile cívico do 2 de Julho voltou a confirmar seu papel como um dos principais termômetros da política baiana. Em ano pré-eleitoral, o cortejo reúne milhares de pessoas nas ruas da capital e se transforma em uma vitrine para pré-candidatos ao Governo do Estado e ao Senado, além de permitir uma avaliação da capacidade de mobilização das principais forças políticas.
Diferentemente de eventos partidários, o desfile proporciona contato direto entre lideranças e população. Durante o percurso, são observadas manifestações espontâneas como aplausos, pedidos de fotos, abraços, críticas e vaias, além da presença de prefeitos, deputados, vereadores e militantes ao lado dos candidatos. A repercussão nas redes sociais e a cobertura da imprensa também contribuem para ampliar o impacto político do evento.
No cenário de 2026, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) chega ao desfile respaldado por uma ampla base política. Levantamentos apontam que a coalizão governista reúne atualmente entre 300 e 330 prefeitos dos 417 municípios baianos. Além disso, estima-se que 40 a 60 prefeitos eleitos por partidos que integravam a oposição ou apoiaram ACM Neto em 2022 tenham aderido ao projeto de reeleição do governador ao longo do mandato, fortalecendo sua presença no interior do estado.
Outro fator que pode influenciar a percepção do eleitorado é o volume de investimentos anunciados pelo Governo da Bahia em áreas estratégicas. Na educação, a gestão estadual prevê 95 novas escolas de tempo integral, além da autorização para 15 novas unidades, 16 reformas e ampliações, nove creches e sete quadras cobertas em pacote anunciado neste ano. Na saúde, os investimentos incluem 11 novos hospitais, 121 Unidades Básicas de Saúde (UBS) viabilizadas por convênios com municípios, 24 reformas de unidades de saúde e duas novas bases do SAMU, reforçando a estratégia de regionalização da assistência.
Observadores, ressaltam, entretanto, que o desempenho dos candidatos durante o desfile não deve ser interpretado como previsão do resultado das eleições. O evento concentra-se principalmente em Salvador, deve sofrer influência de militâncias organizadas e não representa, isoladamente, o comportamento do eleitorado do interior, onde está a maior parte dos votantes baianos. As pesquisas eleitorais continuam sendo o principal instrumento para medir a intenção de voto.
Mesmo com essas limitações, o 2 de Julho permanece como um dos momentos políticos mais relevantes do calendário baiano. Ao unir tradição histórica, grande participação popular e intensa cobertura da imprensa, o desfile oferece um retrato qualitativo do ambiente político, da força das alianças e da capacidade de mobilização dos grupos que disputarão o comando do Estado e as vagas ao Senado nas eleições de 2026.
Por A. Almeida- Economista e jornalista























