A cidade industrial quer virar polo de tecnologia e qualidade de vida
Camaçari: nossa “Cidade Industrial”, antes tão focada no setor petroquímico, está diante de um grande desafio. Com um PIB per capita elevado, estimado em cerca de R$ 109,9 mil, e uma base industrial, eleita como uma das melhores para investir no País.
Eu me imagino caminhando pelas ruas da cidade daqui a dez anos, vendo fábricas antigas cedendo lugar a startups, jovens formados em robótica trabalhando em veículos elétricos, e pais tranquilos levando seus filhos para novos parques urbanos. E esse plano de ação que estamos construindo para 2025-2035, é justamente o mapa para essa virada.
Para que Camaçari se transforme de fato, precisamos de tecnologia: precisamos de instituições inclusivas, de uma governança transparente e de liberdade para empreender. Inspiramo-nos nos estudos dos economistas que destacam que crescimento sustentável vem de instituições que funcionam bem e que favorecem educação, inovação e participação.
Aqui em Camaçari, temos uma vantagem: a indústria já está instalada, a infraestrutura existe, a localização favorece. A equipe da cidade tem que usar isso como plataforma, não como trava. Simplificar o ambiente de negócios, digitalizar os processos, incentivar startups, modernizar o poder público, tudo isso junto eleva o município além da velha dependência petroquímica.
O primeiro eixo desse plano é pessoal para mim: ver jovens e adultos se reconectando com a cidade e ganhando novas oportunidades. O programa “Camaçari Tec” prevê cursos em automação, robótica, energia solar, análise de dados — em parceria com IFBA, SENAI e outras instituições. A meta? Formar 2 mil jovens em dois anos.
Além disso, será criado o Centro Municipal de Inovação e Aprendizado Contínuo (CMIAC) — um espaço de requalificação profissional e incubação de startups. Imagine alguém que, até ontem, trabalhava de auxiliar em linha de produção e, daqui a pouco, participa de um projeto de energia renovável numa startup da cidade. Isso muda vidas, famílias, expectativas.
Outra frente fundamental é tornar mais fácil empreender aqui. Com o “Balcão Único Digital”, a abertura de empresas vai cair de 10 dias para 24 horas. Um grande passo, porque cada dia perdido pode significar oportunidade que vai para o município vizinho.
Também será criado o Código Municipal de Inovação e Startups que regulará sandboxes, incentivos fiscais para empresas inovadoras e o Conselho de Desenvolvimento e Inovação de Camaçari, que junta sociedade civil, setor produtivo e universidade para acompanhar as políticas públicas. Acho bonito imaginar uma cidade em que o poder público e o privado conversam, co-constroem e agem juntos.
Sim, nosso famoso Polo Industrial de Camaçari (PIC) ainda tem papel, e um grande papel. Mas o objetivo agora é transformá-lo em ecossistema de inovação aberta: o projeto do Parque Tecnológico e Industrial Verde (PTIV) vai abrigar indústrias sustentáveis, centros de pesquisa em energia renovável, hidrogênio verde e veículos elétricos.
O programa “Indústria 4.0 Camaçari” ajudará empresas a digitalizar processos, adotar automação e inteligência artificial. Um fundo municipal — Fundo Municipal de Inovação e Tecnologia (FMIT) — com aporte inicial de R$ 20 milhões vai financiar startups e P&D aplicados ao nosso perfil industrial. É a união entre o que somos, cidade industrial e o que queremos vir a ser, cidade de tecnologia e sustentabilidade.
Transformar a economia sem pensar na vida das pessoas seria burrice. Então o quarto eixo é melhorar a vida urbana: o Plano de Mobilidade Integrada Metropolitana vai conectar Camaçari a Salvador e Dias d’Ávila por transporte rápido e sustentável ; BRT, VLT, ciclovias, reduzindo o tempo de deslocamento e estress da população.
Também há projetos de habitação acessível, parques públicos nas regiões do Gravatá, Phoc, Machadinho, Via Parafuso e orla. Iluminação pública em LED, câmeras inteligentes de segurança — e uma meta clara: reduzir em 25% os índices de criminalidade urbana até 2027. Isso me anima porque penso em mães e pais passeando ao fim do dia com tranquilidade, crianças brincando com segurança
Ver a participação da população de fato ainda é uma esperança. O portal “Camaçari Transparente” vai mostrar em tempo real contratos, receitas, metas. O Orçamento Participativo Digital permitirá que a população vote nas prioridades de investimento via app.
O Observatório Municipal de Desenvolvimento e Inovação (OMDI) vai monitorar os indicadores socioeconômicos e os impactos das políticas públicas, publicando relatórios anuais. Isso significa que a cidade não está entregando o plano ao vento: vai acompanhar, ajustar, aprender. E eu acredito que, quando as pessoas veem a conta, participam, influenciam, tudo muda.
Metas ambiciosas para 2035 que inspiram e desafiam
Aqui vão alguns dos marcos transformam papel em resultado:
- PIB per capita chegando a R$ 180 mil até 2035.
- Crescimento de 150% no emprego tecnológico.
- 70% dos jovens de 18-24 anos matriculados em cursos técnicos.
- Redução de 40% nas emissões industriais de CO₂.
- Melhoria de 30% no índice de qualidade de vida urbano.
Para mim, cada número representa um “eu me vejo”, “nós podemos”, “meu filho terá”. É pessoal, é coletivo, é o que move.
Camaçari nunca teve tantas oportunidades. A crise de um setor (o petroquímico) abre janela para outro (tecnologia, verdes, inovação). É agora ou nunca. E somos nós trabalhadores, empreendedores, instituições que temos de agarrar essa chance.
Sei que há ceticismo: “mais promessas”, “já ouvi isso antes”. Mas este plano está desenhado para ser realizado, com metas, prazos, instrumentos e governança. E eu, como economista, acredito que fazer bem feito é fazer planejando e acompanhando as ações da gestão, cobrar, envolver. Sinto que Camaçari está se re-inventando e que cada pessoa pode fazer parte da história.























