“Estamos tratando o trânsito como algo inevitável, e não é”, alerta Rute Carvalhal
A engenheira de segurança do trabalho Rute Carvalhal, referência na área e atuante em saúde do trabalhador em Camaçari, é contundente sobre a gravidade da situação:
“O trânsito hoje precisa ser encarado como uma questão de saúde pública. Estamos falando de vidas perdidas diariamente por fatores totalmente evitáveis. Não são fatalidades, são falhas de planejamento, de fiscalização e, principalmente, de prioridade.”
Segundo ela, o crescimento desordenado das cidades e o aumento da pressão econômica sobre trabalhadores, especialmente motociclistas, ampliam o risco:
“Em Camaçari, por exemplo, vemos um aumento significativo de trabalhadores sobre duas rodas, muitos sob pressão de tempo e produtividade. Isso eleva a exposição ao risco. Sem infraestrutura adequada e sem controle de velocidade, o resultado é previsível.”
Rute também reforça que o enfrentamento exige coragem política:
“As medidas que salvam vidas muitas vezes são impopulares, como reduzir velocidade ou intensificar fiscalização.Quantas vidas estamos dispostas a perder para evitar decisões difíceis?”
A violência no trânsito não pode mais ser tratada como um problema secundário. Em cidades estratégicas como Camaçari,
Como resume Rute Carvalhal:
“Cada morte no trânsito poderia ser evitada. A questão não é falta de solução. É falta de decisão.”
No município de Camaçari, um dos motores econômicos da Bahia, o problema ganha contornos preocupantes.
Com um dos maiores polos industriais da América Latina, a cidade convive diariamente com: Tráfego intenso de caminhões e veículos pesados. Crescimento populacional, acelerado. Expansão urbana desordenada. Aumento expressivo de motociclistas, impulsionado por aplicativos de entrega.
Esse conjunto cria uma equação perigosa: mais veículos, pressão sobre as vias e maior risco de mortes.
A mudança de conceito é central no debate atual. Engenheiros de Segurança do Trabalho, defendem que não existem “acidentes”, mas sinistros evitáveis, resultado de falhas estruturais.
Entre os principais fatores que contribuem para a violência no trânsito estão o excesso de velocidade, o uso de celular ao volante, a infraestrutura precária e a falta de fiscalização efetiva. O grande problema é que, quando o sistema não está preparado, erros comuns acabam se transformando em tragédias.
Inspirado na política internacional conhecida como Vision Zero, o novo modelo de segurança viária propõe uma mudança de abordagem. Nenhuma morte no trânsito é aceitável. Parte-se do princípio de que o errar é humano, por isso, o sistema precisa ser capaz de proteger vidas acima de tudo.
Significa repensar o planejamento das cidades e adotar medidas como a redução da velocidade nas vias, maior proteção para pedestres e motociclistas, uso de tecnologia para reforçar a fiscalização e um planejamento urbano mais integrado e eficiente

























