Brasília – 9 de dezembro de 2025
Redação- Bahia Fatos News
A Câmara dos Deputados voltou a ser palco de tensão política na noite desta terça-feira (9), após um confronto direto entre o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). O episódio terminou com a retirada à força do parlamentar pela Polícia Legislativa e a posterior retomada da sessão de votações sob fortes críticas e troca de acusações.
Como começou a confusão no plenário
O tumulto teve início quando Glauber Braga, em protesto, ocupou a cadeira da presidência da Câmara, posição que é prerrogativa exclusiva do presidente da Casa durante as sessões. O ato ocorreu pouco antes das 18h e foi uma forma de demonstrar oposição à pauta em discussão, associada a projetos que afetam penas de condenados por tentativa de golpe e temas ligados aos desdobramentos de 8 de janeiro.
Diante da ocupação, Hugo Motta determinou a interrupção da sessão e o esvaziamento do plenário. Jornalistas que acompanhavam os trabalhos também foram retirados por ordem da direção da Casa, o que levantou questionamentos sobre transparência e acesso à informação.
Da resistência à retirada à força pela Polícia Legislativa
Mesmo após o esvaziamento, Glauber Braga se recusou a deixar a cadeira da Presidência. Com a negativa do deputado, a Mesa Diretora acionou a Polícia Legislativa para cumprir a ordem de desocupação.
Imagens registradas por parlamentares mostram o momento em que agentes da polícia removem Glauber à força, em meio a gritos e protestos de aliados. O deputado aparece sendo carregado, com as roupas rasgadas, até o Salão Verde, fora do plenário Ulysses Guimarães. De lá, ele falou com a imprensa, ao lado de deputados de esquerda e governistas, acusando a presidência da Câmara de autoritarismo.
Segundo relatos, além de Glauber, outros parlamentares como Sâmia Bomfim, Rogério Correia e Célia Xakriabá precisaram de atendimento médico após o tumulto.
O uso da força dentro do Parlamento e o debate sobre limites do protesto
O uso de força policial contra um deputado em pleno plenário reacende uma discussão antiga: até onde vai o direito de protesto de um parlamentar e onde começa a quebra de decoro ou obstrução ilegítima dos trabalhos?
Para a presidência da Câmara e para parte da base aliada, a ocupação da cadeira da Presidência teria ultrapassado todos os limites aceitáveis de manifestação, ameaçando a normalidade institucional e o andamento de votações consideradas importantes pela maioria. Daí a justificativa para a ação enérgica.
Para setores da esquerda e movimentos próximos ao PSOL, o que se viu foi uma reação desproporcional, que terminou por criminalizar um gesto de protesto político ainda que radical e por consolidar uma tendência de “responder com polícia a conflitos parlamentares”, em vez de apostar em negociação e debate político.























