Por Augusto Jorge-
O tarifa adicional 40% imposta por Donald Trump ao produtos brasileiros importados pelos EEUU, que entrou em vigor no dia 6 de agosto, atingiu em cheio os exportadores e os respectivos produtores de frutas.
Em 2024, o Brasil exportou US$1,295 bilhão, segundo os dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados – ABRAFRUTAS -(https://abrafrutas.org/dados-estatisticos/). Sendo que só os EEUU foram responsáveis por 11,45% destas exportações ou seja US$ 148,393 milhões.
Se esta tarifa se mantiver, a exportação de frutas para os EEUU fica inviabilizada. O Vale do São Francisco, que é o polo brasileiro da fruticultura irrigada, será bastante afetado com esta tarifa adicional, principalmente os produtores de manga e uva.
De acordo com a ABRAFRUTAS, em 2024, só em relação a uva, o Brasil exportou US$ 158,938 mi, sendo os Estados Unidos EEUU) responsáveis por US$ 41,530 milhões ou 26,13%. Mas um fato que devemos ressaltar é que os meses de agosto a dezembro representaram 79,55% destes embarques para os EEUU.
No caso da manga o caso é mais grave, pois em 2024, o Brasil exportou US$ 350,337 mi, sendo que para os EEUU foram US$45,824 milhões ou 13,08%. E os meses de agosto a dezembro representaram 94% destes embarques. Ou seja, este tarifaço adicional pegou justamente a janela de exportação para os EEUU, que é o mercado mais rentável para estes exportadores.
E esta é uma situação difícil, segundo alguns analistas da região, catastrófica, pois a safra é planejada 1 ano antes, em que se faz todo um investimento para conseguir o retorno nos meses de agosto a dezembro. E ainda tem um fator complicador, o mercado americano embora seja o mais rentável, é também bastante exigente. Assim para conseguir exportar para este mercado, o produtor tem que fazer uma série de investimentos adicionais na infraestrutura e no processo de produção da fruta para atender os requisitos sanitários do EEUU.
Em 2024, as exportações de frutas do Vale do São Francisco para os Estados Unidos geraram uma receita de cerca de 90 milhões de dólares o aproximadamente R$ 500 milhões e um mercado que gera aproximadamente 250 mil empregos. Imagina o impacto econômico com esta diminuição desta renda circulando na região?
Ainda tem o fato de que devido ao grande volume embarcado de agosto a dezembro, não é possível redirecionar este volume de frutas para outros mercados. E a fruta é um produto altamente perecível, se não colher e vender rapidamente, ela apodrece. O que favorece o aparecimento de diversas zoonoses, que com certeza prejudicarão as demais fazendas, mesmo as que não exportam para os EEUU, e a fruticultura como um todo na região.
Assim a situação é grave, preocupante e complexa. Exigindo compromisso e responsabilidade das autoridades competentes tanto do executivo federal, estadual e municipal, bem como dos senhores legisladores dos três níveis de poder. A fim de encontrarem uma solução rapidamente para este problema, já que não foi o produtor, o responsável por este imbróglio comercial que o Brasil está envolvido, mas que junto com os trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente com a fruticultura serão os mais prejudicados.
É hora de colocar as divergências partidárias de lado e buscar se unir para negociar com os Estados Unidos, a fim de eliminar esta tarifa adicional de 40% ou pelo menos prorrogar a sua aplicação por mais 90 ou 120 dias, de forma a aproveitar a janela de exportação para os EEUU. Só esta medida já dará um grande alívio para a região, enquanto se busca uma solução definitiva.























