Por A.Almeida- Economista, Jornalista e Servidor Público –
A previsão do governo federal para o salário-mínimo de 2027, estimada em cerca de R$ 1.724 na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o aumento real prometido pode não ser suficiente para aliviar o peso do custo de vida, especialmente em estados como a Bahia.
Embora o cálculo siga a regra atual, reposição da inflação pelo INPC somada ao crescimento do PIB de dois anos antes, o ganho real projetado, em torno de 2,3%, esbarra nos limites do novo arcabouço fiscal. Isso significa que o reajuste continuará sendo controlado, mesmo diante de uma realidade de preços ainda elevados para alimentação, transporte e moradia.
O discurso oficial aponta avanço, porém a realidade do trabalhador é mais dura. Em cidades como Salvador e na Região Metropolitana, onde o custo de vida cresce acima da média nacional, o salário-mínimo segue distante do necessário para garantir condições básicas com dignidade.
O problema é que o valor projetado, não está incluso no contexto. Com energia, combustíveis e alimentos pressionados por fatores externos, como crises internacionais e oscilações no petróleo, o reajuste tende a ser rapidamente absorvido pela inflação do dia a dia.
Outro ponto sensível é a limitação imposta pelo próprio modelo fiscal. O teto de crescimento real do salário-mínimo, vinculado ao equilíbrio das contas públicas, reduz a capacidade de recuperação do poder de compra da população.
O trabalhador até ganha mais no papel para continuar perdendo na feira, no transporte e nas contas mensais.
O valor final do salário mínimo de 2027 só será definido no fim de 2026, após o fechamento da inflação oficial. Até lá, a projeção pode sofrer ajustes para cima ou para baixo. O debate sobre o salário-mínimo expõe um dilema antigo: como equilibrar responsabilidade fiscal com justiça social. Enquanto isso não se resolve, o brasileiro segue fazendo o que já virou rotina apertar o “cinto” para fechar as contas.





















