A política de tarifa zero no transporte coletivo perdeu ritmo no Brasil. Embora a gratuidade universal esteja presente em 146 municípios, oito cidades já revogaram e dezenas de municípios anunciaram que podem cancelar o benefício, principalmente por dificuldades financeiras, aumento da demanda e falta de estrutura para ampliar a frota.
O modelo encontra maior resistência nas cidades com mais de 100 mil habitantes, onde os sistemas possuem linhas mais extensas, maior quantidade de passageiros e custos elevados com veículos, combustível, manutenção e trabalhadores.
A engenheira de Segurança do Trabalho Rute Carvalhal, avalia que a gratuidade precisa ser acompanhada de planejamento técnico e financeiro.
“A tarifa zero pode ampliar o acesso da população ao trabalho, à educação e aos serviços públicos, mas não pode ser implantada apenas como uma decisão política. É necessário conhecer o custo real do sistema e garantir recursos permanentes”.
Em algumas cidades, a ampliação do número de passageiros provocou superlotação e queda na qualidade do serviço. Diante desse cenário, municípios passaram a adotar alternativas como tarifas reduzidas, gratuidade para famílias de baixa renda, estudantes e outros grupos específicos.
Rute Carvalhal, afirma que o debate não deve se limitar à cobrança ou à gratuidade da passagem.
“O transporte público precisa ser acessível, seguro, pontual e confortável. Sem renovação da frota, integração das linhas e melhoria da infraestrutura, até um serviço gratuito pode deixar de atender adequadamente à população”.
Analistas defendem fontes alternativas de financiamento, como receitas de estacionamentos públicos, fundos de mobilidade e subsídios vinculados a metas de qualidade. O desafio é conciliar inclusão social, equilíbrio das contas municipais e eficiência no transporte coletivo.























