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Tarifaço dos EUA ameaça empregos e competitividade no Polo Petroquímico de Camaçari

Por A. Almeida

O Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia, enfrentará uma grande crise com  a  decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 50% sobre diversos produtos brasileiros exportados, incluindo químicos e petroquímicos, atingiu em cheio a indústria baiana.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), cerca de 82% das exportações nacionais de produtos químicos para o mercado norte-americano — equivalentes a US$ 2,4 bilhões em 2024 — passam a ser oneradas pela medida. Boa parte dessa produção tem origem ou é processada no complexo industrial de Camaçari, o maior polo integrado do Hemisfério Sul.

O impacto previsto não se restringe ao faturamento das empresas. Estimativas desse portal Bahia Fatos News apontam que a nova tarifa pode provocar uma redução de até 40% nas exportações, com perda imediata de cerca de 5 mil empregos diretos e reflexos indiretos que podem dobrar esse número. Municípios do entorno, fortemente dependentes da atividade industrial, sentirão o efeito em cadeia: queda no consumo local, redução na arrecadação de impostos e aumento da pressão sobre programas sociais.

O setor alerta para outros riscos colaterais: contratos internacionais podem ser rompidos, insumos e equipamentos importados — essenciais à manutenção das plantas — tendem a ficar mais caros, e a competitividade da indústria brasileira no cenário global será comprometida. “O Polo de Camaçari não está isolado. Ele faz parte de uma cadeia que começa na extração de matérias-primas e termina no fornecimento de produtos essenciais para setores como construção civil, embalagens e automotivo”, afirma um dirigente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).

A crise também expõe a dependência do setor em relação a poucos mercados compradores. Nos últimos anos, os Estados Unidos consolidaram-se como destino-chave para resinas, plásticos e derivados produzidos no polo. A brusca mudança no custo de entrada dessas mercadorias no território americano força as empresas a buscarem alternativas em um prazo extremamente curto — algo logisticamente complexo e comercialmente arriscado.

Diante do cenário, representantes da indústria pressionam por uma resposta coordenada entre os governos federal e estadual. Entre as propostas estão negociações diplomáticas para rever ou atenuar a tarifa, concessão de incentivos fiscais emergenciais e apoio à abertura de novos mercados. A FIEB reforça que sem ações rápidas e consistentes, o Polo Petroquímico de Camaçari pode entrar em um ciclo de retração que levaria anos para ser revertido.

O “tarifaço” norte-americano para Camaçari é uma ameaça concreta a indústria baiana. A depender dos próximos passos, a cidade pode se tornar o símbolo nacional dos danos colaterais de uma guerra tarifária travada muito além de suas fronteiras.

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