Apesar de representarem 52,8% do eleitorado, mulheres seguem sub-representadas nos principais espaços de poder político do país.
A eleição presidencial de 2026 caminha para registrar um dado simbólico e preocupante: pela primeira vez desde 2002, nenhuma mulher integra, até agora, uma chapa considerada competitiva na disputa pelo Palácio do Planalto.
Levantamento divulgado pela CNN Brasil aponta que as principais candidaturas anunciadas são formadas exclusivamente por homens. Entre elas estão Lula e Geraldo Alckmin, Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab, além de Romeu Zema e Eduardo Girão. As mulheres presentes na corrida aparecem apenas em chapas de partidos sem representação relevante no Congresso Nacional.
O cenário contrasta com os pleitos anteriores. Em 2022, Simone Tebet concorreu à Presidência ao lado de Mara Gabrilli; Ana Paula Matos foi vice na chapa de Ciro Gomes; e Soraya Thronicke também disputou o cargo. Em 2018, Marina Silva concorreu à Presidência e várias candidaturas tiveram mulheres como vice. Já em 2014, Dilma Rousseff, Marina Silva e Luciana Genro estiveram na disputa.
A ausência ganha peso diante dos números do eleitorado. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, as mulheres são 52,8% dos votantes aptos em 2026, ultrapassando 83 milhões de eleitoras. Mesmo assim, ocupam somente 15 das 81 cadeiras do Senado Federal.
O quadro reforça a distância entre o discurso político de valorização feminina e a prática partidária. Embora exista cota mínima de candidaturas para mulheres nas eleições proporcionais, as estruturas de poder, o financiamento, a exposição pública e as decisões sobre chapas majoritárias ainda permanecem predominantemente masculinos.
Para a engenheira de Segurança do Trabalho, Rute Carvalhal, o cenário da disputa nacional revela um problema que se reproduz em todos os níveis da política. “Uma eleição presidencial exclusivamente disputada por homens reflete uma realidade presente nas demais modalidades de disputa: as mulheres ainda são excluídas dos espaços de decisão, mesmo sendo maioria da população e do eleitorado. É preciso transformar discurso em oportunidade concreta, com incentivo, estrutura partidária, financiamento e respeito às candidaturas femininas”, afirmou.
A ausência feminina nas principais chapas presidenciais revela um desafio democrático: não basta reconhecer a força das mulheres como eleitoras; é necessário garantir espaço real para que sejam protagonistas das decisões nacionais.























