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A falácia da linha reta

Cláudia Maria Martins

Lá vem eu, novamente, querendo falar do que não sei. Nesse mundo de tantos títulos, certificações, graduações e certezas, chego para falar do que sinto, sem cálculos matemáticos, fórmulas mirabolantes ou longas pesquisas.

Os que quiserem chamar de delírio, aceito e compreendo. Meu modo de sentir e pensar é mesmo bem peculiar. Pois bem, vamos ao ponto, ou porque não dizer, a linha reta. Sim, o assunto está todo resumido no título: A falácia da linha reta.

A matemática denuncia: duas retas paralelas se encontram no infinito, portanto, não são retas na expressão exata da palavra. Há muito deixei de me preocupar com as retas da afirmação matemática e passei a me dedicar aos encontros. “Se encontram no infinito…” Lugar imaginário, impossível de chegar, mas de onde tiramos a certeza do encontro.

 Largando o infinito pra lá e voltando ao chão que nos sustenta, percebo que ele também não é reto. Se traçarmos uma linha imaginária partindo de nossos pés em direção ao infinito, seremos surpreendidos ao perceber que a linha acaba no nosso calcanhar.

 O infinito acaba em nós, tudo volta para nós ou para o ponto de partida. Tudo é convergente. Tudo que vemos só ganha forma quando converge ao ponto de partida. Pegue um papel e um caneta e desenhe qualquer coisa. É inevitável contornar sua ideia para que ganhe forma.

 O andarilho, que sai aparentemente sem rumo, a cada passo, se aproxima do ponto de partida e poderia dar várias voltas ao mundo. Esqueçam a ideia de que existe algo reto, que podemos andar para frente, estragando ou desprezando o que ficou para trás. Não há nada atrás, se pensarmos que tudo é circular.

 Uma hora, voltamos ao ponto de partida. As forças do universo também são concêntricas, a gota d’água, o óvulo, a célula, o átomo. Mesmo na divisão celular, as novas células se mantem unidas. Olho agora para um prédio, quadrado como boa parte da criação do homem, mesmo ele, só existe quando suas linhas se encontram.

 E nós? Nossos corpos são irremediavelmente concêntricos. Depois de um corte, o corpo rapidamente trabalha para recompor os limites que definem nossa forma. E o abraço? Ah! o abraço… Que sábia demonstração de entendimento da convergência do universo, mesmo sem pesarmos nisso, o corpo sente e, simplesmente, se entrega, se rende, ao poder da união. Não há vida sem a convergência de dois corpos.

 Pois é, tudo isso é para dizer que estamos fadados a amar, porque amar é convergir e convergir é a lei maior do Universo.

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