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EDUCAÇÃO INTEGRAL GANHA FORÇA NO BRASIL E RESGATA LEGADO DE SEVERIANO ALVES E DAS BANDEIRAS HISTÓRICAS DO PDT

Proposta do Governo Federal para ampliar escolas de tempo integral dialoga com projetos defendidos há décadas por Severiano Alves e pelo trabalhismo brasileiro

O anúncio de um ambicioso plano do Governo Federal para universalizar a educação em tempo integral no Brasil reacende uma discussão que há décadas faz parte da agenda de educadores e lideranças políticas comprometidas com a transformação social por meio da escola pública. Entre esses nomes, destaca-se o do ex-deputado Severiano Alves, reconhecido nacionalmente por sua atuação em defesa dos professores e da valorização da educação pública.

A proposta atualmente em discussão no Congresso Nacional prevê investimentos que podem alcançar R$ 280 bilhões ao longo dos próximos dez anos para construção e modernização de escolas de tempo integral em todo o país. O objetivo é ampliar significativamente o número de matrículas nessa modalidade e cumprir a meta estabelecida pelo novo Plano Nacional de Educação (PNE), que pretende alcançar 50% dos estudantes da educação básica em regime integral até 2036.

Embora o projeto seja apresentado como uma das principais bandeiras do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para os próximos anos, especialistas destacam que a ideia de uma educação integral, voltada para a formação completa do cidadão, possui raízes históricas profundas e encontra forte identificação com o pensamento trabalhista defendido pelo PDT.

Severiano Alves: defensor do piso salarial dos professores

Ao longo de sua trajetória política, Severiano Alves consolidou seu nome como um dos principais defensores da educação pública de qualidade. Seu trabalho ficou marcado especialmente pela luta em favor da valorização dos profissionais da educação, sendo reconhecido como um dos idealizadores das iniciativas que contribuíram para a consolidação do piso salarial dos professores.

Para Severiano, garantir salários dignos aos educadores sempre foi uma parte da transformação necessária. Sua visão de educação envolvia também escolas estruturadas, professores valorizados e estudantes inseridos em ambientes capazes de promover desenvolvimento intelectual, cultural, esportivo e social.

Esse pensamento se aproxima diretamente do modelo de educação integral defendido historicamente pelo PDT, partido que herdou as ideias de líderes como Leonel Brizola e Darcy Ribeiro.

O sonho de Darcy Ribeiro que volta ao centro do debate nacional

Muito antes de a educação integral se tornar pauta prioritária do Governo Federal, Darcy Ribeiro já defendia a necessidade de uma revolução educacional baseada em escolas que permanecessem abertas durante todo o dia.

Nos anos 1980 e 1990, os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), implantados no Rio de Janeiro durante os governos de Leonel Brizola, tornaram-se símbolo desse projeto. As unidades foram concebidas para oferecer ensino, alimentação, atividades esportivas, cultura, assistência social e acompanhamento pedagógico.

A proposta atual do Ministério da Educação apresenta diversas semelhanças com esse conceito. O plano prevê a construção de escolas-modelo com laboratórios modernos, anfiteatros, quadras esportivas e espaços voltados para atividades complementares, ampliando o tempo de permanência dos estudantes e fortalecendo sua formação integral.

Segundo dados do Censo Escolar, o Brasil já registra avanços importantes. Entre 2024 e 2025, as matrículas em tempo integral cresceram 11% na rede pública, alcançando 8,8 milhões de estudantes.

Ainda assim, o desafio é enorme. Atualmente, apenas 19% dos alunos da rede pública estudam em período integral. Para atingir a meta de 50% prevista pelo Plano Nacional de Educação, será necessário um esforço sem precedentes na construção de novas escolas e na modernização da infraestrutura existente.

É nesse contexto que surge o Projeto de Lei Complementar 265, que poderá garantir até R$ 280 bilhões em investimentos ao longo da próxima década. Caso aprovado, o MEC poderá receber recursos fora dos limites tradicionais do arcabouço fiscal para financiar exclusivamente obras de educação.

Para muitos educadores, a expansão das escolas de tempo integral representa mais que uma política educacional. Trata-se de uma estratégia de combate às desigualdades sociais.

Crianças e adolescentes que permanecem mais tempo na escola têm maior acesso à cultura, ao esporte, à tecnologia e ao acompanhamento pedagógico. Além disso, ficam menos expostos à violência, ao trabalho infantil e à evasão escolar.

Essa visão sempre esteve presente nos discursos e projetos defendidos por Severiano Alves, que compreendia a educação como ferramenta fundamental para promover inclusão social e desenvolvimento econômico.

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