Acordo entre Estados Unidos e Irã reduz tensão global, mas não elimina desafios estruturais da economia brasileira
A recente redução da taxa Selic para 14,25% ao ano provocou um debate recorrente entre economistas, empresários e cidadãos: por que o Brasil continua convivendo com uma das maiores taxas de juros do mundo enquanto os Estados Unidos operam com juros próximos de 3,0% ao ano?
A pergunta ganha ainda mais relevância em um momento em que os mercados internacionais respiram mais aliviados após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito que vinha gerando preocupações sobre o fornecimento global de petróleo e pressionando a inflação em diversas economias.
Se a economia mundial está cada vez mais integrada, por que existe uma diferença tão grande entre os juros praticados pelas duas maiores economias das Américas?
Globalização não significa igualdade econômica
Embora os mercados estejam conectados, cada país possui características próprias que influenciam diretamente suas taxas de juros.
A globalização permite que capitais circulem rapidamente entre os países, mas não elimina diferenças relacionadas à estabilidade econômica, credibilidade fiscal, inflação, produtividade e segurança jurídica.
Na prática, investidores analisam individualmente cada país antes de decidir onde aplicar seus recursos.
É justamente nessa avaliação que surgem as diferenças.
O principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação é a taxa básica de juros.
Quando a inflação ameaça subir acima das metas estabelecidas, os juros são elevados para reduzir o consumo e conter o aumento dos preços.
Nos Estados Unidos, apesar das pressões inflacionárias observadas após a pandemia, a inflação tem demonstrado maior capacidade de convergir para as metas estabelecidas pelo Federal Reserve (Fed).
No Brasil, o cenário é mais complexo. O histórico inflacionário do país ainda influencia fortemente as decisões da política monetária.
Mesmo com a recente queda da Selic, o Banco Central mantém cautela porque as expectativas de inflação para os próximos anos continuam acima do desejado.
Quando surgem riscos de interrupção na oferta da commodity, os preços do petróleo tendem a subir, pressionando combustíveis, energia e diversos setores da economia mundial.
Com a diminuição dessas tensões, investidores passaram a enxergar um cenário internacional mais favorável, reduzindo parte da volatilidade observada nas últimas semanas.
Entretanto, economistas avaliam que fatores externos ajudam, mas não resolvem problemas estruturais internos.
A economia é globalizada, mas a confiança dos investidores ainda é construída país por país. E é justamente essa confiança que explica por que os Estados Unidos conseguem operar com juros próximos de 3,0% ao ano, enquanto o Brasil ainda convive com uma Selic de 14,25%.























