Após mais de 20 anos fechado, o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, em Caboto, distrito de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, reabre completamente restaurado e com a proposta de ser um espaço de reflexão crítica sobre a escravidão no Brasil e seus impactos atuais.
Instalado no antigo Engenho Freguesia, às margens da Baía de Todos-os-Santos, o casarão do século XVIII, tombado pelo Iphan, deixa de ser símbolo da opulência do ciclo do açúcar para expor, de forma direta, a violência que sustentou essa riqueza.
Com quatro pavimentos, 55 cômodos e um acervo superior a 200 peças, entre documentos, mobiliário, objetos religiosos, instrumentos de trabalho e itens ligados à vida cotidiana no engenho, a nova expografia aposta em recursos multimídia e narrativas centradas nas trajetórias de indígenas e negros escravizados.
O objetivo é romper com a visão romantizada dos engenhos, valorizando histórias de resistência, religiosidades afro-brasileiras e a construção cultural do Recôncavo.
A reabertura do museu também dialoga com o turismo e a educação. Integrado a roteiros náuticos e culturais da Baía de Todos-os-Santos, o equipamento tem potencial para fortalecer a economia local e servir como laboratório de educação antirracista para escolas e universidades.
O Museu do Recôncavo se apresenta como um lugar de incômodo e aprendizado, convidando o público a encarar a herança escravocrata e a relação direta dela com a desigualdade social e o racismo institucional que marcam o país.























