Violência contra mulheres mobiliza Camaçari
O Brasil registrou, de janeiro a outubro de 2025, 3.022 tentativas de feminicídio e 1.184 feminicídios, dados atribuídos ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. É o tipo de contagem que espelha uma realidade: todo dia alguém tenta matar uma mulher pelo fato de ela ser mulher e, em muitos casos, consegue.
O mais duro é perceber que essa violência raramente começa no “último ato”. Ela costuma nascer antes: no controle, na ameaça, na humilhação, no isolamento e, quando a vítima procura ajuda, a porta precisa estar aberta e deve funcionar.
A Bahia fechou 2025 com 103 feminicídios, segundo balanços divulgados a partir de dados oficiais da segurança pública, com queda de 6,3% frente a 2024. Mas o risco é usar a queda como “consolo” porque o resto mostra que a violência continua encontrando caminho.
Basta olhar para o Ligue 180: a Bahia teve 63.330 atendimentos em 2024 e 9.090 denúncias. É sinal de que existe uma multidão tentando romper o ciclo e que o Estado e os municípios precisam responder com estrutura, rapidez e proteção real.
Em um recorte do Sinesp/MJSP (de janeiro a julho de 2025), Camaçari registrou três feminicídios e apareceu entre os municípios com maior incidência naquele período. Quando a gente lê isso, vira “mais um número”. Quando a gente lê direito, vira pergunta: quantos sinais foram ignorados antes do pior acontecer?
Do lado da resposta, há um ponto concreto: o CRAM Yolanda Pires no município, somou mais de 200 atendimentos nos três primeiros meses de 2025. Isso diz muito: a demanda existe, está na porta e precisa de rede articulada, e mobilizada.
Quando o TJBA registra 26.432 medidas protetivas concedidas em 2024, fica evidente que a proteção judicial virou parte do “kit de sobrevivência” de muitas mulheres. Medida protetiva é o intervalo entre a ameaça e a tragédia quando aplicada rápido, fiscalizada e acompanhada de suporte social.
Se a violência está organizada. A rede de proteção em Camaçari também está se fortalecendo, com a mobilização de mais de 500 mulheres reunidas, propondo acolhimento, portas abertas, integração entre segurança, saúde e assistência social, e resposta rápida quando a ameaça aumenta.
























