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Hermeto Pascoal: A Vida, a Música e a Partida do “Bruxo dos Sons”

O Brasil se despede de um de seus maiores gênios musicais. Hermeto Pascoal, conhecido mundialmente como o “Bruxo dos Sons”, morreu neste sábado, aos 89 anos, no Hospital Samaritano Barra, no Rio de Janeiro. Internado desde 30 de agosto por complicações decorrentes de fibrose pulmonar, o músico não resistiu ao agravamento do quadro e faleceu em decorrência de falência múltipla dos órgãos, cercado pela família e companheiros de música.

Nascido em 22 de junho de 1936 em Lagoa da Canoa, distrito de Arapiraca, Alagoas, Hermeto Pascoal enfrentou desde cedo os desafios de ser albino em uma região rural, onde o trabalho no campo lhe era inviável. Esse obstáculo acabou sendo a porta para o destino: a música. Com ouvido absoluto e uma sensibilidade rara, aprendeu a tocar acordeão de 8 baixos ainda criança e, aos poucos, foi ampliando seu domínio para flauta, piano, saxofone e inúmeros outros instrumentos.

Mudou-se para Recife em 1950, onde começou a se destacar em rádios locais e grupos de música regional. Sua trajetória rapidamente ganhou proporções nacionais, abrindo espaço para um estilo que misturava jazz, ritmos nordestinos e improvisação livre.

Hermeto foi celebrado por transformar qualquer objeto em música – chaleiras, brinquedos, sons da natureza. Esse dom lhe rendeu a alcunha de “O Bruxo”, um criador capaz de enxergar melodias onde ninguém mais via.

Seu talento chamou atenção até de Miles Davis, com quem colaborou em 1971 no icônico álbum Live-Evil. No Brasil, formou grupos históricos como o Sambrasa Trio e o Quarteto Novo, responsáveis por abrir novos caminhos na música instrumental brasileira.

Ao longo da carreira, gravou discos que se tornaram marcos, como A Música Livre de Hermeto Pascoal (1973), Slaves Mass (1977) e Hermeto Pascoal & Grupo (1982). Em 1996, surpreendeu ao compor o Calendário do Som, projeto em que criou uma música para cada dia do ano. Até seus últimos anos, manteve intensa produção artística, lançando em 2024 o álbum Pra Você, Ilza, em homenagem à esposa.

Entre suas obras mais emblemáticas estão Nem Um Talvez, registrada por Miles Davis, o experimental Slaves Mass e o clássico álbum Quarteto Novo, de 1967, que influenciou gerações de músicos. Sua música é marcada pela liberdade criativa e pela busca constante por inovação, sem perder a conexão com as raízes nordestinas.

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