Queda na Produção Industrial Atinge em Cheio o Polo de Camaçari
É impossível ignorar o baque. A indústria baiana, em maio de 2025, amargou uma retração de 7,7% em relação ao mesmo mês de 2024. Mas o mais alarmante é que os setores que sustentam o Polo Industrial de Camaçari — como químicos, petroquímicos, borracha, plástico e celulose — foram justamente os que mais sofreram.
A gente está falando de queda de 14,7% na produção de produtos químicos, 16% em borracha e plástico e 13,5% em celulose e papel. Isso é reflexo direto nas famílias que dependem desses empregos, nos pequenos negócios da região e na arrecadação do município.
O Polo de Camaçari é um aglomerado industrial: São de 80 a 90 empresas, milhares de postos de trabalho e uma arrecadação anual de cerca de R$ 3 bilhões só em ICMS. Só ele responde por 22% do PIB industrial do estado. É coisa séria.
Mas o problema é justamente esse: muita dependência de um só setor — o petroquímico. E quando esse setor sofre, o impacto reverbera por todos os lados. Empresas param, trabalhadores são demitidos, o comércio sente, a prefeitura arrecada menos. É um efeito dominó.
A Unigel é um dos casos mais emblemáticos da crise. A empresa suspendeu operações porque não conseguiu competir com produtos importados, especialmente fertilizantes e insumos químicos que chegam mais baratos de outros países. E sabe o que é pior? A retomada das atividades está prevista só para 2028.
O mercado brasileiro tem sido invadido por produtos importados com preços mais baixos, muitas vezes subsidiados em seus países de origem. Como competir assim? A verdade é que as empresas do Polo estão perdendo terreno não por falta de competência, mas por falta de apoio.
Não há como sobreviver com essa desigualdade de condições. E quem paga o pato? O trabalhador. A cidade. O estado. A cadeia produtiva inteira.
Os dados do IBGE que se têm até agora são estaduais. Os específicos de Camaçari — através da PIM-PF Regional — só devem sair no dia 12 de setembro de 2025. Mas vamos ser sinceros? Ninguém está esperando uma boa notícia.
Com os setores que mais pesam no polo em queda livre, é pouco provável que os números municipais sejam positivos. A divulgação vai ser importante para entendermos o tamanho real do estrago, especialmente no que diz respeito a empregos, salários e arrecadação local.
Economistas ouvidos nos bastidores dizem, com todas as letras, que sem políticas industriais sólidas e estáveis, o Polo corre o risco de ser engolido por competidores internacionais — e a Bahia de perder sua principal força de tração econômica.
























