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Maré de Projetos de Lei mobiliza parlamentares do Nordeste para fortalecer protocolos de prevenção ao racismo nas escolas

Região reúne avanços na educação quilombola, mas políticas permanentes ainda são desafio para as redes de ensino

O Nordeste reúne avanços na educação antirracista, mas transformar essas experiências em políticas permanentes nas redes municipais ainda é um desafio. Enquanto o Ceará lidera o Índice de Educação para as Relações Étnico-Raciais entre as redes estaduais, com 79 pontos, apenas 53% das redes municipais brasileiras possuem protocolos de prevenção e resposta ao racismo, segundo o Diagnóstico Equidade 2026, do Ministério da Educação. É para ampliar essa proteção e fortalecer o acompanhamento das desigualdades que a Rede A Ponte mobiliza vereadoras e deputadas estaduais da região na Maré de PLs por uma Educação Antirracista.

As leis federais 10.639/03 e 11.645/08 já determinam que a história e a cultura afro-brasileira, africana e indígena façam parte da educação brasileira. A campanha busca fortalecer as condições para que esses direitos se traduzam em ações permanentes nas escolas, com formação dos profissionais, procedimentos de atendimento e mecanismos de acompanhamento.

A iniciativa disponibilizará projetos de lei prontos e apoio técnico aos mandatos. O lançamento nacional será em 4 de novembro. No dia 16, o Dia D mobilizará parlamentares para uma grande onda de apresentação de projetos nas câmaras municipais e assembleias legislativas.

“Quando uma criança sofre racismo, a resposta não pode depender de quem está na sala naquele dia. A escola precisa saber como interromper a violência, acolher o estudante e acompanhar o caso. A família precisa encontrar um caminho de atendimento e ter a segurança de que a situação será enfrentada”, afirma Launa Chantal, gestora de Mobilização e Articulação da Rede A Ponte.

Sob o lema “Na sala de aula é que se muda uma nação”, a mobilização alcançará as cinco regiões do país. A articulação reúne a Rede A Ponte, a Frente Mista de Educação Antirracista, Legisla, Projeto Seta, Equidade pra Aprender, Criola, ANMIGA, Odara e Itéramãxe.

Um dos projetos estabelece seis etapas de atendimento: interromper a violência, acolher, escutar sem revitimização, registrar, encaminhar e acompanhar. O texto impede que situações de racismo sejam tratadas apenas como indisciplina ou conflito entre estudantes. Outro propõe observatórios com dados por cor ou raça e relatórios públicos para identificar desigualdades e acompanhar as respostas da gestão.

“Essas propostas podem fortalecer o trabalho das redes. A campanha quer apoiar essa ampliação e garantir que a educação antirracista tenha continuidade, inclusive nos municípios menores”, acrescenta Launa.

O Nordeste também se destaca na oferta de formação continuada em educação escolar quilombola. Nessa frente, a proposta prevê currículo construído com as comunidades, formação docente e alimentação escolar que respeite a cultura local. O conjunto contempla ainda educação escolar indígena, reconhecimento de práticas antirracistas e transparência no acesso às creches.

Comunidades escolares e organizações também são convidadas a mobilizar suas representantes. Para conhecer as propostas disponíveis e acessar os materiais de apoio à atuação legislativa, acesse: https://forms.gle/BULBAAPCUstngn1C8

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