Por -Redação Bahia fatos News-
Doce sensação gastronômica nas redes sociais é usada como fachada para golpes digitais que prometem lucro fácil e causam prejuízos financeiros e vazamento de dados de milhares de brasileiros.
Um dos doces mais populares do país, o “morango do amor”, tem sido usado como isca em uma nova e perigosa modalidade de golpe digital. Segundo apuração da Agência Lupa, ao menos três anúncios ativos na Biblioteca de Anúncios da Meta promovem supostas vendas do produto, mas escondem um esquema de fraude que envolve roubo de dados pessoais, redirecionamento para sites maliciosos e promessas enganosas de enriquecimento rápido.
A armadilha começa de forma sutil: anúncios patrocinados no Facebook e no Instagram, com visual atraente e linguagem familiar, simulam páginas de entretenimento conhecidas, como a “Choquei”. Ao clicar na postagem, o usuário é levado para um site falso, onde acredita estar adquirindo o doce — mas, na prática, está apenas entregando seus dados a golpistas.
A investigação revela que os sites utilizados para a venda do “morango do amor” são reciclados de outras fraudes já identificadas anteriormente. Entre os exemplos, estão esquemas que envolviam a falsa distribuição de livros gratuitos da Livraria Saraiva e a venda da chamada “caneta emagrecedora Mounjaro” — outra promessa de solução mágica que jamais se concretizou.
Os sites compartilham características comuns: domínio recém-criado, ausência de CNPJ ou razão social, linguagem genérica e uso massivo de inteligência artificial para gerar imagens e depoimentos falsos de supostos clientes satisfeitos.
Outro elemento do golpe é a comercialização de um e-book que promete ensinar como lucrar até R$ 3 mil por semana vendendo morangos do amor. O anúncio, também veiculado via Meta Ads, traz depoimentos falsos e uso de IA para simular histórias de sucesso que, na realidade, nunca existiram. O material vendido não entrega nenhum conteúdo prático ou confiável — e, mais uma vez, serve como porta de entrada para a coleta indevida de informações pessoais dos compradores.
Golpistas se aproveitam de apelo emocional e crise financeira
Especialistas em segurança digital alertam que golpes desse tipo funcionam porque exploram fragilidades emocionais e econômicas da população. O “morango do amor” remete à infância, festas populares e romantismo — elementos que criam identificação imediata com o público. Ao mesmo tempo, a promessa de ganhar dinheiro rápido vendendo um doce simples, com baixo custo de produção, torna o golpe ainda mais atrativo para pessoas em busca de renda extra.
Além disso, o uso de perfis falsos que imitam páginas populares aumenta a sensação de credibilidade. “Quando o usuário vê o anúncio vindo de uma suposta página conhecida, como a ‘Choquei’, ele tende a confiar sem checar a veracidade do link”, explica Carolina Almeida, pesquisadora de segurança cibernética.
As consequências para quem cai no golpe não se limitam à perda de dinheiro. Em muitos casos, os dados inseridos nos sites falsos — como CPF, endereço, número do cartão de crédito e informações bancárias — são armazenados para uso em fraudes futuras. Esse tipo de vazamento pode levar ao uso indevido da identidade da vítima em empréstimos, compras fraudulentas e até abertura de empresas laranjas.
veja vídeo























