Levantamento também mostra que Alexandre de Moraes é apontado por 46% dos entrevistados como principal responsável pela crise na Corte
Uma pesquisa Indexa/Broadcast revela um forte desgaste na imagem do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o levantamento, 68% dos brasileiros são totalmente favoráveis à abertura de processo de impeachment contra ministros envolvidos na atual crise da Corte. Outros 9% se dizem mais favoráveis do que contrários.
Somadas as duas respostas, 77% dos entrevistados demonstram algum grau de apoio à abertura de processos. No sentido contrário, 15% são totalmente contra e 4% mais contrários do que favoráveis.
O levantamento não significa, entretanto, que 77% defendam o afastamento de todos os 11 ministros do Supremo. A pergunta trata especificamente de magistrados eventualmente envolvidos na crise. Além disso, apoiar a abertura de um processo não representa necessariamente defender uma condenação antecipada.
Para 46% dos entrevistados, Alexandre de Moraes é o principal responsável pela crise enfrentada pelo STF. André Mendonça aparece com 16%, seguido por Dias Toffoli, com 6%; Flávio Dino, com 4%; e Edson Fachin, com 3%.
A pesquisa avaliou como a população percebe as decisões de Moraes. Para 45%, o ministro age principalmente com base em critérios políticos. Outros 24% acreditam que ele utiliza critérios políticos e técnicos, enquanto 16% consideram que suas decisões seguem critérios técnicos e jurídicos.
Os números não comprovam que as decisões sejam juridicamente incorretas, mas revelam uma crise de confiança na imparcialidade da Corte. A autoridade do Supremo depende das competências estabelecidas pela Constituição, assim como da credibilidade de seus integrantes perante a sociedade.
Confiança no STF está dividida
O levantamento mostrou ainda que 45% dos entrevistados não confiam no trabalho do STF. Por outro lado, 10% confiam muito e 32% confiam um pouco, totalizando 42%. Considerando a margem de erro, os dois grupos estão tecnicamente empatados.
Os resultados indicam que parte da população pode apoiar a abertura de processos como forma de investigação e esclarecimento dos fatos, e não necessariamente como uma condenação antecipada dos ministros.
A Constituição estabelece que compete ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Uma eventual condenação exige o voto de dois terços dos senadores, equivalente a 54 dos 81 integrantes da Casa.
A pesquisa ouviu 2 mil eleitores por telefone entre 10 e 13 de setembro de 2026. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Agência Estado e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03482/2026.
Os números representam um alerta institucional. A sociedade reconhece a importância do Supremo na defesa da Constituição, mas cobra transparência, equilíbrio, imparcialidade e mecanismos efetivos de responsabilização. O desafio é investigar possíveis irregularidades sem transformar o impeachment em instrumento de perseguição ou vingança política.
Com informações da CNN Brasil e da pesquisa Indexa/Broadcast.























