Engenheira defende aproveitamento de entulhos descartados irregularmente para reduzir impactos ambientais, proteger a saúde pública e gerar economia
Durante participação no programa Contato Direto, nesta sexta-feira, a engenheira civil e de segurança do trabalho Rute Carvalhal sugeriu ao secretário municipal de Serviços Públicos, Hindemburgo Teles, conhecido como Tetê, a realização de estudos para a implantação de uma usina de aproveitamento e reciclagem de resíduos da construção civil em Camaçari.
A proposta busca enfrentar um problema recorrente no município: o descarte irregular de entulhos em ruas, terrenos baldios e áreas públicas. Além de prejudicar a paisagem urbana, esses resíduos podem obstruir sistemas de drenagem, contribuir para alagamentos, degradar o solo e criar ambientes favoráveis à proliferação de insetos e outros agentes transmissores de doenças.
“Grande parte dos resíduos da construção civil que hoje é descartada irregularmente poderia ser reaproveitada. Uma usina permitiria transformar esse material em novos produtos, reduzindo os impactos ambientais e os riscos à saúde da população”, afirmou Rute Carvalhal.
Materiais como concreto, argamassa, cerâmica, metais e madeira possuem elevado potencial de reciclagem. Após o processamento, os resíduos podem ser utilizados na fabricação de blocos, brita reciclada, pavimentação de ruas, bases para estradas e outras obras de infraestrutura.
Segundo Rute, a implantação da unidade também poderia representar economia para o poder público e para as empresas do setor.
“Além de retirar entulhos das ruas e dos terrenos baldios, o município poderia produzir materiais para utilização em pavimentação e obras públicas. É uma iniciativa que combina sustentabilidade, geração de oportunidades e redução de despesas”, destacou.
A construção civil está entre os setores que mais geram resíduos sólidos. No entanto, estimativas técnicas apontam que cerca de 80% a 90% desses materiais podem ser reciclados ou reaproveitados, dependendo da separação e do tratamento adequado.
A engenheira Rute Carvalhal explica que , a proposta precisa ser acompanhada por fiscalização, educação ambiental e pontos apropriados para recebimento dos resíduos.
“Não basta criar a usina. É necessário organizar toda a cadeia, orientar os pequenos geradores, fiscalizar o descarte irregular e garantir locais adequados para a entrega dos materiais”.
A medida deve fortalecer a economia circular em Camaçari, preservar recursos naturais, reduzir a poluição e transformar um problema urbano em matéria-prima para novas obras e serviços públicos.
























