Copom promove o quinto corte consecutivo da taxa básica, mas crédito permanece caro para consumidores e empresas
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14% para 13,75% ao ano. Esse foi o quinto corte consecutivo desde março, totalizando uma redução de 1,25 ponto percentual no período
Apesar da queda, o Brasil continua apresentando o maior juro real do mundo a taxa calculada considerando os juros projetados para os próximos 12 meses e descontando a inflação esperada.
De acordo com levantamento das consultorias MoneYou e Lev Intelligence, o juro real brasileiro está estimado em 8,45% ao ano, muito acima da média de 1,62% registrada entre as 40 economias analisadas.
Depois do Brasil aparecem Rússia, com juros reais de 6,79%; Colômbia, com 6,33%; Turquia, com 6,25%; e México, com 3,08%.
Inflação ainda preocupa
A inflação oficial acumulada em 12 meses desacelerou para aproximadamente 4,22% em agosto. Mesmo assim, o índice continua acima do centro da meta de 3% perseguida pelo Banco Central.
As expectativas do mercado financeiro também seguem elevadas. As projeções apontam inflação de 4,9% em 2026 e de 4,3% em 2027, cenário que contribui para a manutenção de uma política monetária restritiva.
Entre os fatores que dificultam cortes mais acelerados estão a persistência da inflação de serviços, as incertezas sobre as contas públicas, o risco de desvalorização do real, a alta dos juros nos Estados Unidos e as tensões internacionais, que devem pressionar os preços do petróleo.
Na avaliação do Banco Central, uma redução rápida da Selic poderia estimular excessivamente o consumo, pressionar o dólar e dificultar o retorno da inflação à meta.
Para consumidores e empresas, a redução de 0,25 ponto percentual representa um sinal positivo, porém continua sendo insuficiente para provocar uma queda expressiva nas taxas cobradas pelos bancos.
Modalidades como cartão de crédito, cheque especial, empréstimos pessoais e financiamentos de veículos continuarão apresentando juros elevados. Essas operações também incorporam fatores como inadimplência, impostos, custos administrativos e margem das instituições financeiras.
Na Bahia, os efeitos podem ser sentidos no comércio, na indústria, nos serviços e na construção civil. No Polo Industrial de Camaçari, por exemplo, empresas que dependem de financiamento poderão adiar projetos de expansão.
A Selic elevada aumenta o custo de financiamento da dívida pública, especialmente da parcela vinculada à taxa básica. Isso amplia as despesas financeiras do governo e reduz o espaço disponível para investimentos públicos em áreas como infraestrutura, saúde e educação.























