Brasil chega às urnas neste domingo com Lula e Flávio Bolsonaro concentrando a disputa presidencial; levantamentos da véspera mostram diferenças pequenas e nenhum candidato acima de 50% dos votos válidos
O Brasil vai às urnas neste domingo, 4 de outubro, para escolher o próximo presidente da República em uma eleição marcada por forte polarização e por uma diferença estreita entre os dois principais candidatos. As pesquisas divulgadas na véspera mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) concentrando a maior parte das intenções de voto, enquanto os demais candidatos aparecem bem abaixo dos dois primeiros colocados.
O ponto central desta eleição é que os principais institutos chegam ao dia da votação sem registrar qualquer candidato acima dos 50% dos votos válidos necessários para encerrar a disputa no primeiro turno.
No Datafolha divulgado na véspera da eleição, Lula aparece com 45% dos votos válidos, contra 42% de Flávio Bolsonaro. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o instituto classifica a disputa como empate técnico. O levantamento ouviu 4.006 eleitores em 122 municípios.
A Quaest apresenta uma diferença ainda menor: 46% para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro nos votos válidos. O levantamento ouviu 3.702 eleitores nos dias 2 e 3 de outubro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Já a CNT/MDA registrou 47,8% dos votos válidos para Lula e 42,1% para Flávio Bolsonaro. Foram entrevistados 2.002 eleitores entre 29 de setembro e 2 de outubro, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
A AtlasIntel/Bloomberg, por sua vez, encontrou 47% para Lula e 44,1% para Flávio Bolsonaro, considerando votos válidos. O instituto entrevistou 4.945 eleitores entre 27 de setembro e 2 de outubro e informou margem de erro de um ponto percentual.
A batalha decisiva deve estar no comparecimento
Em uma eleição tão apertada, um dos fatores mais importantes deste domingo será a abstenção.
O Brasil registrou abstenção de aproximadamente 20,9% no primeiro turno de 2022. Em 2026, institutos passaram inclusive a incorporar modelos de “eleitor provável” para tentar medir quem efetivamente deverá comparecer às urnas. A Quaest, por exemplo, considera fatores como histórico de participação eleitoral, idade, escolaridade e motivação declarada pelo entrevistado.
Mobilizar eleitores de baixa renda, idosos, jovens e moradores das periferias pode alterar o peso das diferentes bases eleitorais.
A Bahia exemplifica a força eleitoral do atual presidente no Nordeste. Pesquisa AtlasIntel divulgada na véspera apontou Lula com mais de 60% das intenções de voto no estado, muito acima do percentual nacional.
Por outro lado, a disputa no Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais possui peso extraordinário por reunir dezenas de milhões de eleitores. Pequenas variações nesses estados podem modificar significativamente o resultado nacional.
Outro elemento importante são os votos destinados a Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Renan Santos, Romeu Zema e às demais candidaturas.
Individualmente, esses nomes aparecem com percentuais relativamente pequenos. Somados, entretanto, representam uma parcela suficiente para impedir que os dois líderes simplesmente transformem seus percentuais atuais em maioria absoluta.
No Datafolha, por exemplo, Ronaldo Caiado aparece com 4% dos votos válidos, Renan Santos e Augusto Cury com 3% cada e Romeu Zema com 1%.
Eleição será uma disputa pela interpretação política do resultado
Além de definir quem continuará concorrendo à Presidência, a apuração deste domingo produzirá uma fotografia da correlação de forças políticas do país.
O percentual obtido por Lula mostrará o tamanho eleitoral alcançado pelo campo governista depois de mais quatro anos no Palácio do Planalto. O desempenho de Flávio Bolsonaro, por sua vez, permitirá medir a capacidade do bolsonarismo de manter sua base nacional e transferir para uma nova candidatura o eleitorado construído em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Também será relevante observar os resultados para Câmara dos Deputados, Senado e governos estaduais. Um presidente eleito sem base parlamentar suficientemente organizada poderá enfrentar dificuldades para aprovar reformas, mudanças tributárias, políticas econômicas e alterações institucionais.
Por isso, a eleição deste domingo não termina na disputa presidencial.
Os dados disponíveis até a manhã deste domingo permitem estabelecer três constatações objetivas.
Primeiro, Lula e Flávio Bolsonaro concentram amplamente a disputa presidencial.
Segundo, as pesquisas apresentam diferenças pequenas entre ambos, com variações conforme instituto e metodologia.
Terceiro, nenhum dos principais levantamentos nacionais da véspera coloca um candidato acima dos 50% dos votos válidos necessários para uma vitória em primeiro turno.
O eleitor terá a palavra final nas urnas.
E, numa eleição em que alguns poucos pontos percentuais podem separar os principais candidatos, comparecimento, abstenção, decisão de última hora e comportamento regional poderão ser tão importantes quanto as tendências registradas pelas pesquisas ao longo da campanha.























